domingo, 18 de maio de 2014

2.2 Ciência e construção - validade e verificabilidade das hipóteses

2.2.1 O indutivismo e o critério da verificabilidade das hipóteses 

A corrente epistemológica positivista, cujo grande precursor foi o francês A. Comte, e em que Inglaterra foi desenvolvida por Stuart Mill, imprimiu um carácter empirista à ciência na medida em que valorizava a experiência sensível como a única base sólida do conhecimento.

A corrente neopositivista, também designada por empirismo lógico e positivismo lógico, conjuga a tradição empirista com o formalismo lógico-matemático. As suas grandes preocupações giram em torno da demarcação da ciência em relação a outras formas de conhecimento, mais particularmente a metafísica.

Em termos gerias, estas correntes repousam em duas grandes crenças que, na sua perspectiva, demarcam a ciência de outras formas de conhecimento:

a) o conhecimento científico resulta do método indutivo - indutivismo;

b) o critério de validação científica é a verificação e a confirmação experimentais.

a) Método indutivo

Método indutivo, ou indução, é o raciocínio que, após considerar um número suficiente de casos particulares, conclui uma verdade geral. A indução, ao contrário da dedução, parte da experiência sensível, dos dados particulares.

São três as principais etapas do método indutivo:

  1. Observação dos fenómenos
  2. Descoberta da relação entre os fenómenos
  3. Generalização da relação
1.
Exemplo: Observo que João, Pedro e José são mortais.

2.
Exemplo: Verifico a relação entre ser homem e ser mortal.

3.
Exemplo: Genaralizo dizendo que todos os homens são mortais.

O método indutivo tem sido alvo de inúmeras críticas. Uma delas foi-lhe dirigida por David Hume, cuja conceção aponta para o carácter ilusório do indutivismo. De facto, a relação de causa e efeito que se estabelece entre os fenómenos decorre da sua repetição: "após a conjunção constante de dois objectos - o calor e a chama, por exemplo, o peso e a solidez -, somos determinados pelo costume a apenas esperar um a partir do aparecimento do outro".

b)  O critério da verificabilidade/confirmabilidade

Os neopositivistas consideravam a verificação e a confirmação experimentais o critério para distinguir o que é científico do que não é. Por princípio da verificabilidade deve entender-se portanto, o princípio segundo o qual uma proposição só tem sentido se for à partida, empiricamente verificável.

Por exemplo, todos os corvos são negros é um enunciado cientifico porque pode ser verificado e testado de cada vez que se vê um corvo negro. Todavia, este enunciado não pode ser estritamente verificado de forma universal, pois é impossível verificarmos a cor de todos os corvos que existiram no passado, que existem e que existirão no futuro. Face a este problema - que se designa por problema da indução -, os neopositivistas consideram então que basta que os enunciados sejam empiricamento confirmáveis. Se todos e cada um dos corvos observados até ao momento forem negros, o  enunciado todos os corvos são negros confirma-se.


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