O senso comum é, assim, indisciplinar e imetódico, na medida em que não decorre de nenhum plano précio, apenas surge espontaneamente no suceder quotidiano da vida. Assim, o senso comum é práctico na medida em que é com base nele que orientamos a nossa vida quotidiana.
Eis então as principais características do conhecimento vulgar:
- espontâneo e imediato;
- superficial;
- assistemático e desorganizado;
- dogmático e acrítico;
- sensitivo;
- subjetivo;
- ametódico e não disciplinar.
O conhecimento vulgar pode definir-se, portanto, como o conjunto desorganizado de opiniões subjectivas, suposições, pressentimentos, preconceitos e ideias feitas que nos conduzem a uma visão superficial e funcional, embora, por vezes, errónea da realidade.
Sendo o conhecimento mais imediato que podemos retirar da realidade, ele será, assim, e na perspectiva de Karl Popper, o ponto de partida para qualquer conhecimento mais aprofundado do real - o científico, o filosófico ou, numa palavra, o racional. Mas o facto de se constituir como ponto de partida não significa que não tenhamos de o corrigir, de o reformular, numa palavra, de o criticar.
Enquanto Karl Popper admite que o conhecimento vulgar é um ponto de partida, ainda que inseguro, para outro tipo de conhecimento mais aprofundado do real, bastando para tal ser criticado, Gaston Bachelard considera-o como um obstáculo epistemológico, ou seja, como algo que, por si, impede a produção de conhecimento científico. Por conseguinte não basta criticar e corrigir o conhecimento vulgar, é preciso romper totalmente com ele.
Quer entendamos o conhecimento vulgar como ponto de partida inseguro que exige ser criticado, quer como obstáculo epistemológico, o certo é que este primeiro nível de conhecimento é superficial e, portanto, veremos em que se distingue dele o conhecimento científico.
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