O conhecimento científico merece uma atenção especial na medida em que ele se foi assumindo como a forma privilegiada de conhecer o real. De facto, as sociedades ocidentais foram gradualmente depositando toda a sua confiança e esperança na ciência, sobretudo no que diz respeito às suas aplicações técnicas e tecnológicas:
- Quem não reconhece as vantagens da electricidade?
- Quem se imaginaria hoje sem telefone, telemóvel, frigorífico, televisão ou computador?
- Quem se imagina hoje sem medicamentos para tratar as doenças?
Estas são algumas das razões que colocaram a ciência num pedestal relativamente às outras formas de conhecer o real. Nesse sentido, justifica-se uma reflexão epistemológica que se dedique a esta forma de conhecimento em particular, de modo a compreender:
- as suas principais características;
- o seu método ou modo específico de ler o real;
- os seu principais obstáculos;
- os seus critérios de validade;
- o seu valor em função dos seus objectivos;
O que devemos entender, então, por epistemologia?
Esta palavra designa a filosofia das ciências, mas com um sentido mais preciso (...). É essencialmente o estudo crítico dos princípios, das hipóteses e dos resultados das diversas ciências, destinado a determinar a sua ordem lógica (não psicológica), o seu valor e a sua importância objetiva.
Deve-se pois, distinguir a epistemologia da teoria do conhecimento (gnosiologia), se bem que ela constitua a sua introdução e o seu auxiliar indispensável (...).
O epistemólogo apenas pode tentar compreender o sentindo do conhecimento científico, os seus principais obstáculos e o modo como os ultrapassa.
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